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quinta-feira, 17 de abril de 2014

A incrível cena do rio

River Scene from "Tarzan and his mate" (1934)
[Digitally edited]

Na troca de e-mails com o meu irmão que ontem fez anos, respondi-lhe que, de facto, é extraordinário encontrar num filme "familiar" imagens de uma mulher nua a nadar!


Repare-se que o filme foi lançado no dia 16 de abril de 1934 (fez ontem 70 anos!); ora, justamente, "foi preciso que a Legião Católica da Decência ameaçasse com um boicote nacional em 1934 para que os magnatas [da indústria cinematográfica] aceitassem o sistema de auto-regulação voluntária conhecido como o Código de Produção, que estipulavam que os guiões e as edições finais dos filmes tinham que ser aprovadas pelo gabinete de Hayes* para gararntir o seu lançamento." 

Em "100 ideias que mudaram o cinema", de David Parkinson, © 2012 Lawrence King Publishing, Ideia nº 48: "A Censura"


”Mas uma série de escândalos que manchou a reputação da comunidade cinematográfica no início da década de 1920 convenceu os estúdios a demonstrarem a sua contrição adotando a lista de «Não Fazer e Ter Cuidado» redigida por Will H. Hayes na Associação de Produtores e Distribuidores de Cinema (USA) (Idem, também na Ideia nº 48).

Ou ainda: “The Motion Picture Production Code was the set of industry moral censorship guidelines that governed the production of most United States motion pictures released by major studios from 1930 to 1968. It is also popularly known as the Hays Code, after Hollywood's chief censor of the time, Will H. Hays.”
  In Wikipedia


River Scene from "Tarzan and his mate" (1934)
[Digitally edited]

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O aniversário de Tarzeco

Tarzan and his rival

No dia de aniversário do meu irmão mais novo (em tempos conhecido como Zeco) , resolvi dedicar-lhe uma graça - desta vez baseada não em Blake & Mortimer ou no Major Alvega mas no ícone Tarzan.

Quando terminei, e depois de lhe enviar a fotonovela, decidi publicá-la aqui. Porque outros poderão achá-la engraçada. PARABÉNS, ZECO!


Nota: para produzir a fotonovela utilizei imagens obtidas na internet, sobretudo do filme "Tarzan and his mate", lançado mundialmente a 16 de abril de 1934 - isto é, há exatamente 70 anos!! Afinal, há ou não há extraordinárias coincidências?

terça-feira, 10 de abril de 2012

M’enfin !

Sophie Marceau

- Há muito tempo que não vemos uma atriz nua por aqui! Eu, por exemplo?...

terça-feira, 29 de março de 2011

Lidia Octavia

Na prancha 13 de "Le Tombeau Étrusque", um belíssimo álbum da época de ouro de Jacques Martin, o jovem Alix conhece a também jovem Lidia Octavia, irmã de Octávio Augusto. Ei-la aqui, vista pelo célebre autor de BD:

"ALIX - Le Tombeau Étrusque" de Jacques Martin, (c)1968 Casterman

E ei-la, desnudada, no 1º episódio da série televisiva "Rome":


Kerry Condon em "Rome - The Stolen Eagle" (2005), de Michael Apted

Uma beleza ruiva, como se vê!...

Diga-se, a propósito que já desde os anos 60 – numa época em que personagens femininas eram ainda uma raridade fortemente reprimida na BD franco-belga – Jacques Martin marcou a diferença em relação aos seus confrades, ao atribuir a mulheres papéis de relevo: já o tinha feito com a rainha Adréa em “Le Dernier Spartiate” (1967), que lhe valeu “cartas incendiárias da revista [Tintin, que publicou originalmente a história]. Achavam inconveniente representar uma mulher de 40 anos que se apaixona por Alix, um jovem de 18 anos. Ameaçaram-me mesmo de ruptura de contrato.” (Testemunho do próprio em entrevista a Stephan Caluwaerts e Michel Jacquemart).

Martin voltou a atribuir relevância a personagens como, por exemplo, a pobre Ariela de “Iorix le Grand” (1972); a andrógina criatura Archeolus de “L’Enfant Grec” (1980), que se debate entre a sua natureza feminina e a sua aparente e conveniente masculinidade; a pastora Marah de “La Tour de Babel”, de insólitos poderes; a megera Hernia e a sua filha Dafne de “Le Cheval de Troie” (1988); ou a seminua Malua de “Les Proies du Volcan” (1978), cujos seios descobertos foram sendo pouco a pouco revelados e que causaram algum escândalo… “Mesmo nos anos 70 chateavam-me com esse género de coisas”, diz ele aos entrevistadores atrás referidos, que então lhe perguntam:
“Você já não tem esse género de problemas hoje em dia?”
“Hoje em dia é o contrário” – responde ele. – “nunca se faz demais nesse género”.
[Citações traduzidas da obra “À Propos de Lefranc”, Junho de 2001, Éditions Nautilus, Bélgica.]

"L'Ogre Rouge" de J. Martin, P. Cuvelier, 1973

Nota: A existência da seminua Malua não é estranha ao facto de essa história de Martin ter sido originalmente concebida para a série Corentin, do seu amigo Paul Cuvelier, um excelente desenhador, absolutamente fora do habitual no que toca à anatomia e à sensualidade das personagens femininas (e não só). Em outra altura falaremos dele.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Blade Runner & Devos IV


En 1983, à l’envers de travailler avec l’ombre, je travaillais avec la lumière ! C’était magnifique !

In 1983, instead of working with shadow, I was working with light! It was marvelous!
Sean Young em "Blade Runner", de Ridley Scott (1982)

Em 1983 eu estava um pouco farto da técnica tradicional da BD e procurava novos caminhos, gráficos e narrativos (porque uma coisa está ligada com a outra). “Blade Runner”, o fabuloso filme de Ridley Scott (mais do que “Alien”), teve um enorme impacto em mim e mostrou-me uma via particularmente interessante. Aliou-se a isso a descoberta acidental da técnica adequada – guache aplicado com aerógrafo sobre papel preto – e atirei-me com entusiasmo à criação da minha nova BD: uma história de F.C. chamada “Não há flores em Devos IV”.
“Não há flores em Devos IV” / Il n’y a pas de fleurs sur Devos IV” / There are no flowers in Devos IV” (c)1983 Luís Diferr


Eis que, ao invés de trabalhar com a sombra, trabalhava com a luz! Repare-se que o guache é uma tinta opaca, o papel negro absorve a luz e, contudo, é possível criar imagens luminosas e com belos efeitos de transparências. Magnífico! Infelizmente, a técnica revelou-se demasiado morosa, dificilmente aplicável a uma BD, mesmo supondo uma estrutura narrativa diversa da tradicional. Por essa razão a aventura ficou incompleta. Talvez hoje, com o recurso do Photoshop, a possa realizar!...
Publico aqui duas imagens de “Devos IV”. Outras virão em devida altura. Note-se que o título foi inserido em francês bastante mais tarde, por razões de mercado. A BD em Portugal é praticamente inexistente.